O comércio mundial está crescendo — ou tudo simplesmente ficou mais caro?
Os números do comércio internacional continuam impressionando.
9/16/20262 min read
Em 2025, o valor global das trocas de bens e serviços chegou a aproximadamente US$ 35 trilhões, estabelecendo um novo recorde. Já no primeiro semestre de 2026, o comércio de mercadorias alcançou cerca de US$ 13,7 trilhões, com crescimento expressivo em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mas existe uma diferença importante entre movimentar mais dinheiro e movimentar mais mercadorias.
Valor não é a mesma coisa que volume
Quando o comércio global é medido em dólares, aumentos no preço da energia, matérias-primas, transporte e produtos industrializados podem fazer os números crescerem mesmo sem uma expansão proporcional da quantidade de cargas transportadas.
Esse fenômeno aparece com clareza nos dados recentes. No primeiro trimestre de 2026, o volume do comércio mundial de mercadorias cresceu 3,2% em relação ao ano anterior, enquanto seu valor em dólares aumentou 11%. Ou seja: houve crescimento real das trocas, mas uma parcela importante da expansão financeira veio dos preços.
A UNCTAD também aponta que os preços dos bens comercializados internacionalmente voltaram a ganhar força em 2026, pressionados principalmente por energia, commodities e custos relacionados ao transporte e à produção.
Então o comércio está crescendo?
Sim — mas de forma muito menos uniforme do que os valores totais podem sugerir.
Alguns setores estão puxando grande parte dessa expansão. Produtos ligados à infraestrutura de inteligência artificial, semicondutores, minerais críticos, baterias e tecnologias digitais registraram forte crescimento em 2026. Ao mesmo tempo, segmentos como produtos químicos, ferro e aço apresentaram desempenho mais fraco.
A geografia do comércio também está mudando. O Leste Asiático permanece como um dos principais motores das trocas internacionais, enquanto tensões geopolíticas, mudanças tarifárias e reorganizações das cadeias produtivas alteram os fluxos entre diferentes regiões.
Isso significa que falar simplesmente em “crescimento do comércio mundial” pode esconder movimentos bastante diferentes entre países, produtos e rotas.
O que isso significa para a logística?
Para quem atua no comércio exterior, olhar apenas para o valor movimentado pode produzir uma percepção incompleta do mercado.
Um comércio mundial de valor recorde não significa necessariamente que portos, navios e terminais estejam recebendo exatamente o mesmo aumento percentual de carga. É preciso observar também volume transportado, demanda por determinada rota, capacidade disponível, preços de commodities, fretes e comportamento de setores específicos.
Em alguns corredores, o volume pode crescer rapidamente e pressionar espaço e equipamentos. Em outros, o aumento financeiro pode estar muito mais relacionado à valorização das mercadorias do que a uma explosão física dos embarques.
A própria OMC projeta uma expansão mais moderada do volume mundial de mercadorias em 2026, após o crescimento mais forte registrado em 2025.
Mais do que acompanhar números, é preciso entender o que existe por trás deles
O comércio internacional continua crescendo, mas os números mostram um cenário mais complexo: há mais mercadorias circulando, mas também há produtos mais caros, custos maiores e uma concentração do crescimento em determinados setores e regiões.
Para importadores e exportadores, essa distinção é fundamental. Planejar uma operação internacional exige acompanhar não apenas quanto o mundo está comercializando em dólares, mas onde os volumes estão crescendo, quais rotas estão mais pressionadas e quais fatores podem alterar custos e prazos.
Na P1 Forwarding, acompanhamos essas mudanças para antecipar cenários e apoiar decisões logísticas mais eficientes, conectando cada operação às transformações do comércio global.
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